<%@LANGUAGE="VBSCRIPT" CODEPAGE="1252"%> JUSTIÇA VAI A ESCOLA

 JUSTIÇA VAI À ESCOLA - XAPURI-AC
        ANTIGO SERINGAL CACHOEIRA

Juízes do trabalho participam de ações de cidadania com filhos de seringueiros no Acre

Dezenas de filhos de seringueiros, dentre eles parentes do líder ambientalista Chico Mendes, participaram na manhã de quinta-feira (9), no antigo seringal Cachoeira, divisa da zona rural dos municípios de Xapuri e Epitaciolândia (AC) de uma verdadeira festa de cidadania com a participação de juízes do trabalho de Rondônia e Acre.

Os juízes, que realizam um trabalho voluntário de conscientização das pessoas que moram em comunidades de difícil acesso e nas escolas da rede pública para conscientizar adultos e os alunos, foram unânimes em afirmar que vivenciaram, através de mais essa versão do Programa Justiça do Trabalho Vai à Escola, uma experiência de vida das mais gratificantes, pois tiveram a oportunidade de conversar com parentes dos primeiros brasileiros, que enfrentaram na época dos chamados “empates” as motosserras e os agressores do meio ambiente, contribuindo para a adoção de uma maior consciência ecológica no Brasil.

Os seringueiros, liderados na época por Chico Mendes, adotavam como único recurso a formação de um escudo humano e de braços dados enfrentavam e expulsavam os operadores de motossera contratados pelos fazendeiros para derrubar a floresta e transformar em pasto.

As primeiras reuniões de Chico Mendes com os amigos e que depois se transformaram no principal foco de resistência contra os agressores da natureza aconteceram no seringal Cachoeira, hoje transformado numa das comunidades tradicionais dos povos da floresta da Reserva Extrativista Chico Mendes, aonde funcionam projetos educacionais, produção de artesanato e de conscientização ecológica.

Os juízes se revezavam ora aplaudindo os filhos dos seringueiros cantarem músicas com forte apelo de preservação da floresta ora participando de brincadeiras e danças com os alunos e adultos, como por exemplo, o juiz Ilson Pequeno Junior que dançou forró com Cecília Mendes, 80 anos, tia adotiva do líder seringueiro Chico Mendes.

O juiz titular da Vara do Trabalho de Epitaciolândia, Fábio Lucas Sandim respondeu a várias perguntas dos alunos de primeira a quarta séries da escola local, lembrando inclusive a importância do trabalhador ter a carteira profissional assinada ainda que atue na zona rural.

A juíza-presidente, Elana Cardoso, fez esclarecimentos sobre o trabalho infantil, explicando que ajudar nas atividades domésticas e em outras que não prejudiquem os estudos podem ser realizadas normalmente.

As servidoras Luíza e Nazaré Pena, fórum de rio Branco, encenaram as peças teatrais “Empregada Doméstica” e “Tem vaga aí”, respectivamente, enfatizando a importância dos direitos do trabalhador doméstico e do uso de equipamentos de proteção individual, como botas, capacetes, luvas e óculos, no desempenho das atividades na área rural e locais insalubres.

A coordenadora do programa Justiça do Trabalho Vai à Escola, juíza Maria Cesarineide, afirmou que ali estava sendo lançada uma semente e pela primeira vez os juízes participavam de uma conversa franca com os filhos dos seringueiros e parentes de Chico Mendes, com a expectativa de que esses estudantes se transformem em agentes multiplicadores do processo de conscientização dos direitos dos trabalhadores.

Na ocasião foram distribuídos aos alunos folderes e cartilhas com ilustrações que explicam em linguagem simples e “balões” do gênero gibi o Direito do Trabalho. Participaram ainda das ações o juiz Francisco de Paula, que tocou teclado e cantou músicas compostas por Geraldo Azevedo, a juíza da quarta VT de Rio Branco, Socorro Elizabeth Oliveira Maia, servidores, professores e vários moradores da comunidade.

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Fonte: Celso Gomes
Publicado em 28 de Novembro de 2006
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